MASP recebe obras do italiano Caravaggio que saem da Itália pela primeira vez

Mariana Pasini
Do UOL, em São Paulo

  • Divulgação

    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada

    "Medusa Murtola", de Caravaggio, apenas recentemente teve sua autoria comprovada

Apreciar ao vivo uma pintura do mestre italiano Michelangelo Merisi da Caravaggio (1571–1610) não é uma das tarefas mais fáceis. No mundo há apenas cerca de 66 obras unanimemente reconhecidas com a autoria do italiano e a maioria pertence a igrejas, de onde quase nunca saem para compor exposições internacionais. Quando compõem o acervo de museus, é raríssimo conseguir um empréstimo.

Esses são apenas alguns dos motivos que tornam imperdível a mostra “Caravaggio e seus seguidores”, em cartaz no Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) a partir da quarta (1º) até 30 de setembro. Segundo o curador Fábio Magalhães, foram necessários três anos para organizar a mostra, que conta com obras de coleções particulares e dos museus Galleria Borghese, Palazzo Barberini (ambos de Roma) e Galleria degli Uffizi (Florença).


Os ‘caravaggescos’ [pintores influenciados por Caravaggio] não ficam mal na exposição. São obras muito boas e de grandes artistas

Fábio Magalhães, curador da mostra no Brasil. Na foto, obra da pintora Artemisia Gentileschi, uma das seguidoras

Dessa vez são sete os trabalhos de Caravaggio, entre os atribuídos e os reconhecidos, que poderão ser conferidos pelo público – muito diferente das mostras dedicadas ao italiano no Brasil que, em 1989 e 1954, traziam, respectivamente, duas e três pinturas.

A exposição é dividida em três partes: trabalhos definitivamente reconhecidos como sendo do italiano, pinturas cuja autoria apenas recentemente foi comprovada e “obras-problema”, cujo autor ainda não foi definido e permanece em discussão. “São Francisco em meditação”, “São Jerônimo que escreve” e “Retrato do Cardeal” compõem a primeira parte. “Medusa Murtola”, que pela primeira vez sai da Itália e vem ao Brasil (assim como o "Retrato"), é uma descoberta recente. Já “São João Batista que alimenta o Cordeiro”, "São Januário degolado ou Santo Agapito" e uma cópia de "São Francisco em meditação" estão no último grupo.

“O que essa mostra tem de interessante é toda essa questão atributiva”, explica Magalhães. O curador aponta que houve uma grande reviravolta nos últimos anos por conta dos novos meios tecnológicos para se comprovar a autoria do italiano, como a análise dos fios das telas, o que permitiu descobertas.

A cópia de “São Francisco em Meditação”, feita na época em que a original foi pintada, será exposta logo ao seu lado para que o público possa compará-la. Segundo Magalhães, a reprodução é tão extraordinária que existe a possibilidade de ter sido pintada pelo próprio Caravaggio, já que era comum entre os pintores da época copiar seus próprios quadros, o que a coloca entre as "obras-problema". Uma reprodução da obra "Os Trapaceiros" também figura na mostra, mas definitivamente não é da autoria do italiano segundo o curador.

Caravaggio trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além do poder sobre as pessoas exercido pela violência

Fábio Magalhães, curador no Brasil de "Caravaggio e seus seguidores"

Os caravaggescos
Além das pinturas do italiano, 15 das que compõem a exposição são dos chamados “caravaggescos”, pintores que foram influenciados pelo mestre italiano.

Eles estão divididos entre primeira geração, que conviveu com o pintor, e a seguinte, que foi influenciada por ele, mas após sua morte. Magalhães garante que eles também ganham destaque na mostra. “Os ‘caravaggescos’ não ficam muito mal na exposição, são obras muito boas e de grandes artistas.” A “Madalena desmaiada”, da italiana Artemisia Gentileschi, é uma das pinturas de maior destaque.

Temas contemporâneos e comportamento explosivo
Expoente do barroco, as obras do italiano são carregadas de drama e feitas com a técnica do “chiaroscuro”, ou “claro-escuro”, que destaca o tema representado em primeiro plano com um feixe de luz em contraste com um fundo escuro. O pintor também é conhecido pelo temperamento explosivo, o que o levou a uma série de brigas e fugas de diversas cidades, inclusive Roma, onde foi lançado um prêmio pela sua cabeça.

Para Magalhães, Caravaggio influenciou a arte de maneira definitiva não só pela sua técnica realista, mas também pela escolha de temas. “O artista trabalha com o drama humano diante da existência e a fragilidade da vida, o erotismo e a carnalidade, além de um dos mais contemporâneos, que é o poder sobre as pessoas exercido pela violência”, enumera.

"Caravaggio e seus seguidores" ficou em cartaz em Belo Horizonte entre 22 de maio e 22 de julho, onde recebeu cerca de 86 mil pessoas. De São Paulo, a exposição parte para Buenos Aires.

Serviço
Caravaggio e seus seguidores
Quando:
1º de agosto a 30 de setembro (abertura ao público em 2 de agosto); de terças a domingos e feriados, das 11h às 18h; às quintas, das 11h às 20h.
Onde: Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) - Av. Paulista, 1578
Quanto: R$ 15 (inteira) e R$ 7 (meia). A bilheteria fecha meia hora antes. Às terças, acesso gratuito.
Mais informações: www.masp.art.br/masp2010

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